
BILHETE AOS ELEITOS.
O BRASIL QUE QUEREMOS.
Senhor candidato (a).
Em primeiro lugar, gostaria de cumprimentá-lo pela vitória nas próximas eleições.
Imagino que a esta altura, ao término da comemoração, o senhor há de encontrar um momento de extrema solidão diante do oceano infinito de desafios, e da consciência da pequenez do barco que vai conduzir diante de um mar revolto.
Por onde começar? Deve ser uma pergunta recorrente.
Nós sabemos que amigos fiéis o rodeiam, assim como centenas de novos companheiros. Idéias e interesses se confundem.
Por onde começar? A sociedade questiona. São numerosas as demandas, e muitos disputam o destaque de uma prioridade, quando sabemos que tudo é prioritário. Aliás, senhor candidato, lamentavelmente não estamos tratando de coisa nova.
Em 1.917 o poeta poeta Olavo Bilac escreveu um prefácio para o livro ..Lendas e Tradições Brasileiras.., de Affonso Arinos. Dizia o poeta, em janeiro daquela data:
“..Affonso Arinos resumiu, com precisão cruel, os males que nos adoecem e nos envergonham:
• a dispersão dos bons esforços;
• o desamparo do povo do interior,
dócil e resignado, roído de epidemias e
de impostos;
• a falta de ensino;
• a desorganização administrativa;
• a incompetência econômica;
• a insuficiência;
• a ignorância petulante e egoísta dos que governam este imenso território,em que ainda não existe uma nação…”
Qualquer semelhança com os tempos que vivemos, não é mera coincidência.
Senhor candidato. Lembramos do seu discurso, de que tudo começa com a educação, que, aliás, foi o tema que dominou também as campanhas dos seus concorrentes.
Os debates foram intensos, e tenho que admitir que estamos cansados.
Os cidadãos estão envolvidos, as metas mais do que definidas; sabemos que as escolas precisam melhorar a qualidade, ampliando as oportunidades para os excluídos da tecnologia. Enfim, já sabemos o que e como fazer.O que tem faltado é determinação e capacidade de decisão.
O Brasil, Sr candidato, um país rico em energia e recursos naturais, é também um país pobre.
OJapão que é um país pobre em recursos naturais, mas é um país rico. Os países ricos são ricos porque eles produzem riqueza. E os países pobres não são ricos porque não conseguem produzir riqueza em quantidade suficiente para o seu povo.
Atentos a esta condição, os ricos investem na pesquisa científica e tecnológica. Por exemplo: eles nos vendem uma placa de computador que pesa 100g por US$ 250. Para pagarmos esta plaquinha eletrônica, o Brasil precisa exportar 20 toneladas de minério de ferro.
A fabricação de placas de computador criou milhares de bons empregos lá no estrangeiro, enquanto que a extração do minério de ferro cria pouquíssimos e péssimos empregos aqui no Brasil.
Agora sabemos que, para o nosso Brasil tornar-se um país rico, com o seu povo vivendo com dignidade, temos que produzir mais riquezas…
E de nada adianta tentar lançar responsabilidades, que são nossas, para os países ricos. Eles já fizeram a lição de casa.
CANDIDATO!
A riqueza do seu estado está no campo e nas indústrias que se distribuem pelo nosso imenso território. E aí eu lembro novamente das promessas do período das eleições. Todos garantiram o desenvolvimento da produção, na cidade e no campo.
Acontece que de nada adianta aumentar a produção, se não forem criadas vias de escoamento adequado. Elas é que vão fazer a riqueza circular, distribuindo os produtos para todos, e não só para alguns privilegiados. A eficiência destas vias é que vai reduzir o custo dos produtos.
Educação adequada e produção não resolvem todos os nossos problemas, mas convenhamos, é um grande começo. Um povo educado e produtivo preserva o meio ambiente, cuida melhor da saúde e desenvolve valores.
Como deve ter percebido, somos engenheiros. No estado do Paraná somos 44.000, e no país quase alcançamos 800.000. Eles são tão ou mais inteligentes do que qualquer engenheiro americano, japonês ou alemão. Nós que assistimos a boa parte da história do Estado afirmamos que o brasileiro não é inferior a ninguém, pelo contrário, dizem até que somos muito mais criativos do que os habitantes do chamado primeiro mundo.
O professor Parigot de Souza, tinha a receita do sucesso: escolher entre os melhores!
Para ele, o Estado não poderia servir de sala de aula para despreparados.
Ele assegurava que o Brasil é um só. Ao norte e ao sul, a leste e a oeste. Brasil da capital e do interior.
Estamos assistindo a sociedade em movimento na busca de soluções para os problemas de todo dia, e descobrindo novos caminhos para o futuro.
Dezenas de entidades representativas da sociedade organizada, centenas de empresas brasileiras, e milhares de cidadãos e cidadãs tem dado a sua contribuição com pesquisas, estudos e propostas que nos conduzam ao desenvolvimento sustentável, antes uma atribuição de responsabilidade exclusiva do Estado, nas suas esferas federal, estadual e municipal.
As iniciativas das entidades são segmentadas; algumas processadas no setor industrial, outras ligadas à atividade comercial, profissional ou de serviços; a agricultura, ao agro negócio ou ao turismo.
A integração deste movimento, é resultante de todas estas forças ou o elo que veio a unir estes esforços está representado pelo estímulo da mídia investigativa que aqui no Paraná tem a coordenação e divulgação RPC – Rede Paranaense de comunicação.
Agora somos um só Paraná. O Paraná do Futuro 10, mais justo, livre das ameaças de procedimentos indignos, por parcela dos representantes populares.
É um novo Paraná que se avizinha!
Agregador de valores aos seus produtos com medidas claras de:
• Estimulo à diversidade do setor agro industrial, para diminuir a dependência e a vulnerabilidade decorrente da instabilidade econômica.
• Investimento na infraestrutura para encurtar distâncias barateando produtos e possibilitando a distribuição da riqueza.
• Respeito ao meio ambiente através da administração e destino adequado do lixo, e redução do desperdício da água escassa; conversando com os vizinhos da casa, do município e dos estados para descobrir ações adequadas à solução de problemas comuns.
• Luta pelo estabelecimento de leis claras, duradouras e de simples e rápida aplicação como instrumento de defesa à corrupção e procedimentos irregulares.
Os sonhos dos brasileiros passam por políticas públicas para as suas regiões, destacando a necessidade de organização em torno de planos diretores que levem em conta a descentralização, as soluções compartilhadas, o estímulo a políticas de geração intensiva de mão de obra para garantir emprego aos excluídos da tecnologia, e o incentivo à educação em todos os seus níveis para garantir e ampliar oportunidades.
A realização destes sonhos depende da nossa capacidade de saber escolher entre os que sabem dirigir, os que o fazem com competência e transparência. Da imprensa livre para garantir voz e vez ao processo democrático.
Um abraço esperançoso.