ELEIÇÕES : ONDE ESTÁ O ÁRBITRO.

“Vivemos a pátria de chuteiras.”

Nelson Rodrigues

Há quem defenda a imagem que traduz com maior precisão o sentimento nacional, a futebolística. Esta linguagem é adotada nos bares, nos lares e até por autoridade da República.

Assegura-se que, durante a semana que antecede o jogo, a imprensa movimenta as atenções, cria fatos e desmentidos, mas o que ao final predomina é a máxima de que “treino é treino, jogo é jogo”. E o jogo em questão é feito em duas partes; o primeiro e o segundo tempo. Dizem os entendidos, e o Brasil tem 180 milhões deles, que o primeiro período é reservado aos estudos do adversário. É um tempo de cautela, por isso recomenda o técnico; “defender em bloco e atacar em leque”. No segundo tempo a cautela é substituída pela ousadia, pelo menos para aqueles que jogam para vencer. A prudência recomenda continuar cuidando da defesa, mas atacar ora pela direita, ora pela esquerda, e utilizar o centro para decidir; em outras palavras, a ordem é “atacar pelas pontas”.

Pois bem, dia 03 de outubro terminou o primeiro tempo do jogo eleitoral brasileiro, e os milhares de torcedores não se entusiasmaram com o espetáculo. Sem plano claro, os adversários praticaram um futebol burocrático, sem criatividade, jogaram para o time, mas esqueceram a torcida, que continua preocupada com os principais problemas do seu time, a burocracia, os impostos extorsivos, legislação instável ou obsoleta, corrupção, avareza, mas principalmente, a falta de um projeto para a nação. Falta direção ao time! E esquema de jogo. Começa o segundo tempo! Novos personagens se agregaram às equipes, e as posições foram redistribuídas. Não basta agora estabelecer metas sem construir as pontes necessárias para alcançá-las; é atacar pela direita ou pela esquerda aproveitando os lançamentos, convertendo em gols. Este é um cenário comum aos gramados. Mas o futebol não se limita a este espaço, pois inclui o estádio e um grupo significativo de personagens que agem nas sombras do espetáculo, são os chamados cartolas.

Ao voltar os olhos para o campo vamos identificar a estrela do espetáculo; é o árbitro, também conhecido como juiz. Segundo o Aurélio, é aquele que dirige a partida, com direito de decisão sobre o seu desenvolvimento ou aos fatos disciplinares. Ali ele é senhor absoluto, soberano até na elegância. Dele dependerá a manutenção do equilíbrio emocional dos jogadores, dos técnicos, impondo disciplina, coibindo violência. Os espectadores gritam em favor da sua equipe, e muitas vezes buscam atingir a honra da mãe do árbitro, mas ao final se curvam à beleza do espetáculo e ao sucesso da sua equipe.

Do árbitro exigem isenção, autoridade e precisão. Ele pode ter uma preferência, mas não se admite que o coração vença a razão. Não tem o direito de ter o sangue quente ou frio, tem que ser justo.

O jogo eleitoral terminará aos noventa minutos do dia 31. E ainda não percebemos a presença do grande árbitro.

Serra tem visão de estadista, consegue interpretar o Brasil com visão do processo histórico e dos desafios do mundo atual.

Para saber mais, leia o texto clicando aqui.

abraço,

Luiz Cláudio Mehl

BILHETE AOS ELEITOS.

O BRASIL QUE QUEREMOS.

Senhor candidato (a).

Em primeiro lugar, gostaria de cumprimentá-lo pela vitória nas próximas eleições.

Imagino que a esta altura, ao término da comemoração, o senhor há de encontrar um momento de extrema solidão diante do oceano infinito de desafios, e da consciência da pequenez do barco que vai conduzir diante de um mar revolto.

Por onde começar? Deve ser uma pergunta recorrente.

Nós sabemos que amigos fiéis o rodeiam, assim como centenas de novos companheiros. Idéias e interesses se confundem.

Por onde começar? A sociedade questiona. São numerosas as demandas, e muitos disputam o destaque de uma prioridade, quando sabemos que tudo é prioritário. Aliás, senhor candidato, lamentavelmente não estamos tratando de coisa nova.

Em 1.917 o poeta poeta Olavo Bilac escreveu um prefácio para o livro ..Lendas e Tradições Brasileiras.., de Affonso Arinos. Dizia o poeta, em janeiro daquela data:

“..Affonso Arinos resumiu, com precisão cruel, os males que nos adoecem e nos envergonham:

• a dispersão dos bons esforços;

• o desamparo do povo do interior,

dócil e resignado, roído de epidemias e

de impostos;

• a falta de ensino;

• a desorganização administrativa;

• a incompetência econômica;

• a insuficiência;

• a ignorância petulante e egoísta dos que governam este imenso território,em que ainda não existe uma nação…”

Qualquer semelhança com os tempos que vivemos, não é mera coincidência.

Senhor candidato. Lembramos do seu discurso, de que tudo começa com a educação, que, aliás, foi o tema que dominou também as campanhas dos seus concorrentes.

Os debates foram intensos, e tenho que admitir que estamos cansados.

Os cidadãos estão envolvidos, as metas mais do que definidas; sabemos que as escolas precisam melhorar a qualidade, ampliando as oportunidades para os excluídos da tecnologia. Enfim, já sabemos o que e como fazer.O que tem faltado é determinação e capacidade de decisão.

O Brasil, Sr candidato, um país rico em energia e recursos naturais, é também um país pobre.

OJapão que é um país pobre em recursos naturais, mas é um país rico. Os países ricos são ricos porque eles produzem riqueza. E os países pobres não são ricos porque não conseguem produzir riqueza em quantidade suficiente para o seu povo.

Atentos a esta condição, os ricos investem na pesquisa científica e tecnológica. Por exemplo: eles nos vendem uma placa de computador que pesa 100g por US$ 250. Para pagarmos esta plaquinha eletrônica, o Brasil precisa exportar 20 toneladas de minério de ferro.

A fabricação de placas de computador criou milhares de bons empregos lá no estrangeiro, enquanto que a extração do minério de ferro cria pouquíssimos e péssimos empregos aqui no Brasil.

Agora sabemos que, para o nosso Brasil tornar-se um país rico, com o seu povo vivendo com dignidade, temos que produzir mais riquezas…

E de nada adianta tentar lançar responsabilidades, que são nossas, para os países ricos. Eles já fizeram a lição de casa.

CANDIDATO!

A riqueza do seu estado está no campo e nas indústrias que se distribuem pelo nosso imenso território. E aí eu lembro novamente das promessas do período das eleições. Todos garantiram o desenvolvimento da produção, na cidade e no campo.

Acontece que de nada adianta aumentar a produção, se não forem criadas vias de escoamento adequado. Elas é que vão fazer a riqueza circular, distribuindo os produtos para todos, e não só para alguns privilegiados. A eficiência destas vias é que vai reduzir o custo dos produtos.

Educação adequada e produção não resolvem todos os nossos problemas, mas convenhamos, é um grande começo. Um povo educado e produtivo preserva o meio ambiente, cuida melhor da saúde e desenvolve valores.

Como deve ter percebido, somos engenheiros. No estado do Paraná somos 44.000, e no país quase alcançamos 800.000. Eles são tão ou mais inteligentes do que qualquer engenheiro americano, japonês ou alemão. Nós que assistimos a boa parte da história do Estado afirmamos que o brasileiro não é inferior a ninguém, pelo contrário, dizem até que somos muito mais criativos do que os habitantes do chamado primeiro mundo.

O professor Parigot de Souza, tinha a receita do sucesso: escolher entre os melhores!

Para ele, o Estado não poderia servir de sala de aula para despreparados.

Ele assegurava que o Brasil é um só. Ao norte e ao sul, a leste e a oeste. Brasil da capital e do interior.

Estamos assistindo a sociedade em movimento na busca de soluções para os problemas de todo dia, e descobrindo novos caminhos para o futuro.

Dezenas de entidades representativas da sociedade organizada, centenas de empresas brasileiras, e milhares de cidadãos e cidadãs tem dado a sua contribuição com pesquisas, estudos e propostas que nos conduzam ao desenvolvimento sustentável, antes uma atribuição de responsabilidade exclusiva do Estado, nas suas esferas federal, estadual e municipal.

As iniciativas das entidades são segmentadas; algumas processadas no setor industrial, outras ligadas à atividade comercial, profissional ou de serviços; a agricultura, ao agro negócio ou ao turismo.

A integração deste movimento, é resultante de todas estas forças ou o elo que veio a unir estes esforços está representado pelo estímulo da mídia investigativa que aqui no Paraná tem a coordenação e divulgação RPC – Rede Paranaense de comunicação.

Agora somos um só Paraná. O Paraná do Futuro 10, mais justo, livre das ameaças de procedimentos indignos, por parcela dos representantes populares.

É um novo Paraná que se avizinha!

Agregador de valores aos seus produtos com medidas claras de:

• Estimulo à diversidade do setor agro industrial, para diminuir a dependência e a vulnerabilidade decorrente da instabilidade econômica.

• Investimento na infraestrutura para encurtar distâncias barateando produtos e possibilitando a distribuição da riqueza.

• Respeito ao meio ambiente através da administração e destino adequado do lixo, e redução do desperdício da água escassa; conversando com os vizinhos da casa, do município e dos estados para descobrir ações adequadas à solução de problemas comuns. 

• Luta pelo estabelecimento de leis claras, duradouras e de simples e rápida aplicação como instrumento de defesa à corrupção e procedimentos irregulares.

Os sonhos dos brasileiros passam por políticas públicas para as suas regiões, destacando a necessidade de organização em torno de planos diretores que levem em conta a descentralização, as soluções compartilhadas, o estímulo a políticas de geração intensiva de mão de obra para garantir emprego aos excluídos da tecnologia, e o incentivo à educação em todos os seus níveis para garantir e ampliar oportunidades.

A realização destes sonhos depende da nossa capacidade de saber escolher entre os que sabem dirigir, os que o fazem com competência e transparência. Da imprensa livre para garantir voz e vez ao processo democrático.

Um abraço esperançoso.

 

Teste

Dias atrás um conhecido parlamentar lamentava a dificuldade que  os governos enfrentavam para ocupar os espaços vazios; ou pela falta de idéias, ou pela indefinição de rumos, ou ainda pela inexistência de pessoas capacitadas para preencher estes vazios. Daí o desabafo: “vivemos num deserto de líderes”.

De há muito estas questões tem preocupado os brasileiros, especialmente aqueles que se sentem dispostos a escolher, através do voto.

Até a pouco, a escassez de lideranças era debitada ao regime autoritário, que estabeleceu medidas cerceadoras da liberdade de expressão, desde os bancos escolares. Como sustentar esta tese frente aos mais de vinte longos anos decorridos de quando começaram a soprar os ventos da democracia?

Outros apontam como origem do problema a prática “cartorialista”, corporativismo de classe ou “peleguismo” partidário. Grupos pequenos  da sociedade teriam se “acastelado” em muitas destas organizações para se revezar no poder ano após ano. É o que se entende por ditadura da minoria.

A cultura do imediatismo, própria do país que convive com ciclos de dificuldades e resultado do descarte quase instantâneo das informações transmitidas pelos meios de comunicação, atropela também o surgimento dos novos líderes. Como então cultivar a visão do horizonte, se nem os próprios pés conseguimos enxergar?

Existem outros fatores que inibem o nascimento e desenvolvimento destes comandantes de idéias práticas. O exemplo e particularidades da personalidade daqueles que exercem o poder tem desmotivado muitos daqueles aptos ao seu exercício.

Em sendo condutor ou interprete, ou ambos, o líder dos nossos dias representa a vontade de um grupo, de uma comunidade, tem idéias próprias e anseios que nem sempre coincidem com os interesses que movem o poder capaz de transformar a sociedade.

O ego atingido e a preocupação com a sombra são também elementos determinantes deste obscurantismo.

Por último o medo de ser elite!

O exercício retórico difundiu nos últimos tempos o conceito equivocado de que aquele que trabalha , pensa, aprende e cresce social e economicamente , viveria no mesmo universo, compartilhando direitos e deveres com aqueles que tão sómente usufruem do produto resultante das ações dos que fazem as coisas acontecerem.

A elite ociosa tem intimidado a elite que realiza, por atitudes intrigantes nas áreas públicas e  privadas.

Ficaram na memória histórica recente, alguns exemplos de lideranças que conduziram o processo de redemocratização do Brasil. Entre outros tantos aparecem em destaque nomes como o de Ulisses Guimarães, Teotônio Vilela, Tancredo Neves, Mário Covas, José Richa, Severo Gomes, Olavo Setubal e mais aqui, Accioly Filho, Alencar Furtado, Ney Braga, Parigot de Souza. Eram algumas referências de conduta, independente de coloração ideológico partidária. Depois, oligarquias assumiram o processo aliados dos “pelegos sindicais” dependentes do poder central.

A história do mundo do século 20 não foi diferente. Stalin, Hitler, Perón ou Fidel tiveram presença marcante no rol das lideranças ditatoriais; assim como Gandhi ,De Gaulle, Churchill, Roosevelt e Kennedy representaram o novo neste mundo imperfeito; enquanto  Nixon, os |Bush e outros tantos, acumulavam hábitos antigos.

Certamente não há uma receita pronta, ou processo de produção de lideranças. Talvez seja possível criar o ambiente propício para o surgimento dos melhores. Multiplicando exemplos de exercício correto e competente do poder, estimulando a idéia de um futuro possível, pois é a esperança nas realizações práticas, que move os homens do mundo; ou mais, difundindo o conceito construtivo do posicionamento crítico, respeitadas as  regras em vigor.

O malogro desta empreitada poderá levar uma geração a substituir o mundo deserto de líderes, por outro tomado por líderes de um deserto.

Ao Estado o que é do Estado. Ao mercado o que é do mercado.

Estatização ou privatização é um falso dilema, pois o Estado é fraco quando utilizado como cabide de emprego de incompetentes, e o mercado não produz quando dependente unicamente do dinheiro. 

No Paraná o estado do mercado é  produtivo, e o do Estado público é estressado por pouca realização e muita polêmica.

Todos temos a percepção de que estamos no limiar de um mundo novo, de contornos ainda desconhecidos pelo rompimento de muros e barreiras que separavam municípios, estados e países.
Conscientes da nossa responsabilidade perante a população, temos refletido sobre os desafios que se apresentam.

O primeiro nos parece a necessidade de entendermos o que é o Estado, se mínimo, médio ou máximo; e que o mercado é parte do Estado, porque dele dependem e compartilham os consumidores, e é dele que o Estado obtém os recursos para a sua sobrevivência.

Enfim, o Estado e o mercado são partes de um todo. Um estabelece regulamentos e o outro cumpre.

São conceitos universalmente conhecidos, e se bem administrados produzem harmonia e produtividade.

Na prática, aqui em nosso Estado e em alguns outros, discussões intermináveis desagregam os atores e estressam os espectadores.

Na área de transportes temos exemplos claros que não afetam unicamente o nosso Estado, mas pela carência de estudos logísticos o Brasil sofre reflexos negativos.

Daí vai uma pergunta repetida há anos, há muitos anos :

Por que, para nós, é importante a ligação interoceânica Paranaguá-Antofagasta (Portos de ligação do oceano Atlântico ao Oceano Pacífico)?

1 – Estudos existentes mostram que até 2020 (só mais 12 anos…) 56% da população do planeta estará contida na Ásia, principalmente na China e na Índia, regiões super populosas e com poucas terras agricultáveis para produzir alimentos suficientes;

2 – O Brasil, apesar do proporcional aumento da sua população, ainda contará com terras agricultáveis para produção agrícola capaz de nos alimentar e exportar o excedente.

Áreas cultivadas com culturas anuais 47 milhões de hectares
Áreas cultivadas com culturas permanentes 14 milhões de hectares
Áreas com pastagens nativas e cultivadas 220 milhões de hectares
Áreas agricultáveis disponíveis 83 milhões de hectares
Áreas totais cultiváveis em março/abril de 2007 364 milhões de hectares

3 – Atualmente, os caminhos marítimos alcançam portos da Ásia, como Cingapura, Hong-Kong, Yokoama e outros na China e Índia, e nos obrigam a navegar quase 20.000km, em circunavegação, ou contornar a América do Sul, atravessando o Canal do Panamá com navios de menor porte tipo Panamax. Ou, ainda, pelo estreito de Magalhães, ao Sul.

Como vemos, o Brasil tem papel relevante neste mundo novo que se avizinha. E ao Paraná, uma posição de destaque! Mas precisamos apertar o passo porque o Brasil e o mundo têm pressa.

E o que está acontecendo conosco? Por que esta lentidão num mundo que tem pressa?

O Paraná é um só! 

Estado onde os políticos das mais diferentes correntes partidárias deveriam debater, divergir, mas sempre que o interesse da sociedade do nosso estado estiver em jogo, deve prevalecer o espírito público capaz de viabilizar e realizar sonhos embasados no uso de técnicas e descoberta de novas tecnologias.

Há pouco tempo nos sensibilizou a leitura de uma frase, publicada pelo jornalista Bessa, da Gazeta do Povo, com relação ao ali chamado “trem das ilusões”, um projeto de trem de alta velocidade entre São Paulo e Curitiba, em estudos pelo chamado “banco de idéias” do Instituto de Engenharia do Paraná.

No Paraná,, vagões de desilusões tem sobrevivido graças aos gargalos criados pela inépcia ou despreparo de dirigentes, que há muito não pensam no futuro das novas gerações.

Alguns exemplos destes fatos nós relacionamos abaixo:

  • Ligação ferroviária entre Curitiba e Paranaguá.
    Há mais de cem anos dois engenheiros brasileiros – irmãos Rebouças – coordenaram a construção deste monumento à engenharia nacional. Por ela ainda hoje trafegam produtos que contribuem com a riqueza nacional.
    O volume de cargas de há cem anos é incompatível com a circulação atual, e todos sabemos da necessidade de construção de uma nova ferrovia com capacidade de transportar tais cargas. Como deve ser do conhecimento público., uma boa parte deste traçado já está executado, mas há décadas ainda não concluído.
  • Desvio ferroviário Guarapuava – Ipiranga ou engenheiro Bley.
    O primeiro é projeto existente há muitos anos, e paralisado por falta de recursos e por divergências de traçado, por setores paranaenses. Incluído no PAC, foi agora substituído pela segunda opção, por razões políticas, segundo o Secretário Nacional de transportes..
    A questão é, quanto tempo demandarão os projetos geotécnicos, ambientais, traçado e viabilidade e interesse público-privado desta nova opção? Ou, como compensar o tempo perdido para escoar as safras em constante elevação, graças à produtividade do setor agro – pecuário?  
  • Infra-estrutura do porto de Paranaguá.
    É de conhecimento público a necessidade de recuperação do porto e adequação a novas tecnologias; não pode tornar-se porto de areia. Além destes aspectos, deverão ser implantadas alternativas portuárias para o estado.
    A questão é, por que estamos repetindo conflitos intermináveis?
  • Linha ferroviária de contorno da cidade de Curitiba.
    Risco permanente, principalmente para a população carente dos bairros curitibanos, perturbadora da saúde e descanso dos moradores próximos ao trajeto, a desativação da linha férrea que corta a cidade há muito já saiu do papel, sem se transformar em realidade.
    A questão é, qual é o mistério que cerca a lentidão de uma obra que dá voto?
  • Aeroporto Afonso Pena
    Terceira pista, extensão da segunda, tem alimentado discussões intermináveis: já foram incluídas no PAC, mas até agora nada ocorreu.
    A questão é: por que a concentração de cargas de importação e exportação de produtos de alto valor agregado deverão se concentrar em Campinas?
  • Trem Bala entre Curitiba – São Paulo – Belo Horizonte.
    Não se trata de trem das ilusões, é o que asseguram engenheiros experientes, associados ao IEP, e que no passado transformaram sonhos em realidade para os brasileiros, e para os paranaenses em particular.

Estes senhores do Banco de idéias, liderados pelo ex-governador Emilio Gomes, o professor Jurimar Cavichiolo e outros tantos, estão voluntariamente concebendo alternativas para a construção do futuro que provavelmente não terão oportunidade de desfrutar: o mundo das futuras gerações. Eles não admitem a idéia de um Paraná dividido!

Não podemos parar!

Há quem assegure que são duas práticas raras neste mundo imperfeito. 

Está escrito no mestre Aurélio; “Complexo de normas não formuladas que regem o comportamento humano” são os direitos universais do homem. Quando “íntegro, probo, justo e honrado”, trata-se de um homem direito. 

Em todas as posições à direita, no centro ou à esquerda, vamos encontrar homens direitos, com capacidade de tomar atitudes de respeito aos direitos humanos. Encontram historicamente, dificuldades para encontrar um lugar à mesa do entendimento. São continuamente submetidos à pressão daqueles que se acreditam donos da verdade. Lá também agem os “tortos”, deformados de valores e comportamento. 

Nas décadas de 60 e 70 este era um cenário permanente, no Brasil e no mundo. 

Na Universidade de Sorbonne em Paris, os estudantes estavam sitiados porque queriam mudar o mundo do General De Gaulle, herói da liberdade da França. Eles queriam derrubar o passado e construir um futuro indefinido. Do lado de fora estavam os que acreditavam que a mudança não era possível sem a preservação dos valores do presente.Fui testemunha deste cenário.

OOOOOOOOOOOOOOOO 

O refeitório da escola de engenharia estava lotado. Centenas de estudantes debatiam dificuldades do presente; as condições precárias do refeitório, notícias da iminente extinção dos diretórios acadêmicos, alterações na grade curricular para separar as turmas, eram assuntos dominantes. Nos intervalos dos debates chegavam informações sussurradas ao pé do ouvido, da morte do estudante Edson no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, e de ações armadas de assalto a banco, com vítimas fatais entre populares. 

Enquanto os estudantes debatiam as reivindicações e as possibilidades de negociação com a direção da escola, eram interrompidos por discursos inflamados de colegas de outros estados, que mudavam o foco para o confronto com as autoridades governamentais. À saída, enquanto se dispersavam, todos assistiam a aproximação dos soldados da cavalaria, acelerando o trote na sua direção. Recuaram, alguns se refugiaram nas salas de aula, outros juntavam rolhas no depósito do refeitório, e lançavam na direção das patas dos cavalos, que tombavam em desequilíbrio. 

Em outra frente, o prédio da reitoria era tomado em protesto às mudanças do sistema educacional.

Este cenário tinha como protagonistas os que queriam mudar, outros manter e a maioria transformar para melhor. Todos em busca da sua verdade.

Eu estava lá.

OOOOOOOOOOOOOOOOO 

João Vostec, carpinteiro, filho da segunda geração de imigrantes italianos estava no domingo sentado na área em frente à sua casa de madeira, enrolando o cigarro de palha. Seu pensamento estava preso à felicidade que o seu ofício possibilitou, de ter a própria casa e  estudo para os filhos. Eis que a sua paz foi interrompida, pela correria e gritos de pessoas na direção de uma mata junto ao riacho próximo. Assustado assistiu a movimentação, e algum tempo depois viu o vizinho se aproximando, portando martelo e machado.

Ao ser perguntado o vizinho respondeu: “Fui tomar posse de um lote da invasão.”

-Mas você já não tem a tua casa? – Perguntou João.

-Tenho, mas agora vou construir uma para alugar. – Respondeu sorrindo.

João continuou enrolando o cigarro, surpreso com o que estava acontecendo.

Trabalhei com o João Vostec.

OOOOOOOOOOOOOOOOO 

Convidado pelo Jaguar e amigos, Millor Fernandes alertava para as dificuldades a serem enfrentadas para a edição do PASQUIM, um denominado pelas autoridades como “jornaleco”, que nos empolgava a todos por despertar abordagens culturais descompromissadas com a ordem vigente. “Não estou desanimando vocês não, mas uma coisa eu digo: se esta revista for mesmo independente, ela não dura mais de três meses; e mais,…nós humoristas, temos bastante importância pra ser presos e nenhuma pra ser soltos.

Algum tempo depois, uma bomba silenciou temporariamente o jornal. 

Para resistir ao ambiente de cerceamento da liberdade de expressão foi preciso recorrer à força moral e econômica de alguns dos grandes veículos de comunicação, entre os quais destacou-se o “Estado de São Paulo” com  inserções das famosas lusíadas de Camões, nas páginas e palavras censuradas. 

Tanto tempo se passou, e o mundo brasileiro mudou, para melhor. A liberdade “abriu as asas sobre nós”; não há por que colocá-la em risco.

O “Pasquim” e o “Estadão” foram meus instrumentos de informação.

OOOOOOOOOOOOOOOOO 

A primeira regulação das relações do campo foi instituída no “Estatuto da terra”, pelo Mal. Castelo Branco em meados da década de sessenta. Parece incrível, não?

O homem da terra não pode servir de massa de manobra, nem do senhorio nem tampouco dos oportunistas. Deve-se nele enriquecer o conhecimento, tecnologia e cultura da terra cultivada. Sem os frutos do seu trabalho no campo, não há cidade que sobreviva.

                                                                                                     Ooooooooooooooooooooooo

Reminiscências de um passado vivido que não deve ser integralmente reeditado. É preciso entender que

“Se os homens são puros as leis são desnecessárias. Se desonestos, as leis serão inúteis.” (mais uma vez Disraeli) 

Prefiro acreditar nos homens direitos em defesa dos direitos humanos.

 

 

 

 

BIODIVERSIDADE E BIOSEGURANÇA

Um cenário do século XX 

Houve um tempo em que a conservação dos alimentos era feita pela sua imersão em recipientes com banha de porco.

 As comunicações eram lentas porque as estradas e as ferrovias eram precárias ou inexistentes; sem água encanada a escassez determinava o banho em chuveiro de balde, as mãos e o rosto lavados com uma pequena porção derramada numa bacia.

Sem esgoto, o banheiro de resumia a uma “Casinha” localizada nos fundos da moradia. As florestas representavam recursos disponíveis para manter as casas e mover as indústrias. A luz dependia da combustão do querosene do lampião, e a energia da roda do moinho. A caça era um esporte popular motivado pela competição acirrada de quem matava a maior quantidade. Estas foram algumas características marcantes deste período. E a tecnologia foi o principal instrumento de transformação desta realidade. 

As distâncias foram encurtadas, o conhecimento e a informação foram disseminados com rapidez, mas, os benefícios não foram distribuídos de forma equânime entre os diversos segmentos da população. Milhares vivem ainda aquele cenário. 

Alterar este quadro é responsabilidade de todos os cidadãos. Nós somos agentes do desenvolvimento sustentável. 

A proposta deste texto é estimular a reflexão sobre os temas na busca de alternativas. E para iniciar este processo trazemos o testemunho de um personagem conhecido dos engenheiros e arquitetos: 

O mestre de obras

Ele está presente em todas as obras de engenharia. Geralmente não possui formação acadêmica superior, e é escolhido entre os companheiros pela sua capacidade de observação e espírito de liderança. A experiência ele adquire na universidade da vida; sem ele a obra não acontece. 

Pois bem, o senhor Batista é um mestre de obras com quase 30 anos atuação nos mais diversos canteiros.

Ao retornar da conclusão de uma obra realizada  numa das  praias do Paraná, ele rompeu o silêncio resultante do desequilíbrio cultural e perguntou :

- “Doutor”. Quando é que descobriram o gás?

Diante do meu silêncio, ele lançou o olhar para a exuberância da floresta Atlântica e arrematou com sabedoria:

- “Se não tivessem inventado o gás esta floresta não existiria; tinha virado lenha”.                                     

Recorremos em seguida ao testemunho de um ambientalista respeitado: 

O Dr. José Lutzenberger

Em recente entrevista ele declara que o movimento ambientalista já passou por várias fases. A primeira, na década de 60, foi a fase da descoberta dos problemas ambientais. Os anos 70 foram a fase de confronto, das grandes brigas. Nos anos 80 tecnocracia e governo começaram a reagir, surgiam os órgãos oficiais de controle ambiental. Muitas indústrias começaram efetivamente a desenvolver consciência ambiental e sentirem-se responsáveis. Após a Rio-92, toda pessoa inteligente, bem informada e pensante sabe que a nossa cultura industrialista global é insustentável e que se quisermos sobreviver como espécie e civilização teremos que repensar o que entendemos por “progresso” e por “desenvolvimento”. 

Também são sábias as reflexões do Dr. Lutzenberger. Delas extraímos a principal motivação para este momento; 

É IMPERATIVO QUE A FASE DO CONFRONTO SEJA SUBSTITUIDA PELO ENTENDIMENTO

As partes precisam sentar à mesa para deliberar com a consciência de que a ausência de educação adequada, o tempo perdido nas filas da burocracia, a fragilidade das pessoas e das empresas são veículos que conduzem à depredação do ambiente. E não devem jamais esquecer a lição de Disraeli :”Se os homens são  puros as leis são desnecessárias. Se  desonestos, as leis serão inúteis.”

De outro modo todos sabemos que o investimento em pesquisa e tecnologia resulta num poderoso instrumento, talvez o mais significativo, para enfrentar os desafios do presente e do futuro. 

Nesta mesa não haverá lugar para os cínicos nem para os oportunistas.

 

 

 

Ano após ano, do velho para o novo o ritual se repete.

Videntes, búzios, horóscopo e a fé alimentam as pessoas de esperança e visões de futuro. 2010 não vai ser diferente.

Ao seu tempo John Lennon lamentava que o sonho teria acabado.

O homem comum ao seu modo, vive o pesadelo do emprego perdido, do amor dividido, salário e renda reduzidos, autoridade corrompida e outros tantos mais.
2010 pode ser diferente se dedicado a um projeto especial, Projeto País – projetando um novo amanhã.

Todos sonhamos com um projeto de vida. Desde o cidadão mais humilde, até o empreendedor bem sucedido.

Aqueles que já o tem, param ao longo do percurso para refletir sobre a necessidade de corrigir rumos.

Já o sonho coletivo é o projeto de vida de um país. Projeto que reúne forças da vontade individual e as da população em torno de metas comuns.

Mas nós temos um projeto claro do país que queremos?

Se a resposta for afirmativa, sabemos que ainda remanescem dúvidas sobre questões de método e gestão.

O mês de janeiro de cada novo ano é um tempo para reflexão sobre o futuro individual e coletivo. Na mesa de um bar, ou numa festa de roda alta deste mês é por onde ocorrem os debates por possibilidades alternativas. Para muitos, o companheiro de meditação é o silêncio.

Já fevereiro, tem um número menor de dias, que nós brasileiros dedicamos para o batuque e rebolado do samba.

Em março os primeiros traços do projeto em questão podem começar a despontar. A educação como instrumento do conhecimento; cuidados com o ambiente natural; a necessidade de planejar, observar a logística e a gestão; inovar com criatividade para despertar curiosidade.

Em abril e maio, a antiga prancheta ou os recursos do computador estarão sobre a mesa do entendimento, das questõs sociais, econômicas e tecnológicas. No pacote ou no pen-drive, estarão as propostas do projeto.

Os meses de junho e julho serão dedicados à leitura e estudo dos prováveis gestores futuros.

Nos meses de agosto e setembro descortinam-se cenários para os competidores da gestão interpretarem o que aprenderam com a leitura, e quais as suas idéias e experiência de fazer acontecer.

Na platéia estaremos nós, espectadores atentos.

Das nossas atitudes individuais e coletivas, tomadas em outubro quando do julgamento das propostas, dependerá a sustentabilidade do projeto.

Novembro e dezembro terminam com a escalação da equipe preparada para transformar pesadelos em sonhos realizados.

E o sonho continua.

Luiz Cláudio Mehl

Engenheiro civil

Jan/2.009


Prezado Papai Noel:

De início faço um alerta; cuidado com o buraco na camada de ozônio, que está aumentando em razão da fome de muitos, e da irresponsabilidade de alguns dos mais ricos.

Como o senhor sabe, nós brasileiros vivemos num país abençoado. Visto aí de cima, somos um paraíso. As nossas florestas ainda soam exuberantes, os rios são extensos que parecem alcançar o infinito; os campos estão coloridos pelas flores que se transformarão em alimentos para o mundo, e povoados de aves, aqui e ali uma boiada, lá uma pocilga…; mar para todos os lados.

Como o senhor vê as cidades aqui são enormes, brilham as luzes à noite, e os automóveis, caminhões, ônibus e pessoas circulam freneticamente durante o dia. Grandes construções rodeiam as metrópoles abrigando fábricas e indústrias.

É preciso que sejamos honestos com o senhor: Ao se aproximar daqui, vai se defrontar com algumas dificuldades. Se vier pelo ar vai enfrentar a burocracia dos aeroportos, e o rigor do impostos sobre os presentes que transportar (não se assuste se pedirem uma taxa para liberar os pacotes); se vier pelo mar prepare-se para enfrentar a fila no nosso porto; quando utilizar as estradas, cuidado com os buracos capazes de danificar o seu trenó – faz muito tempo que não é construída uma estrada decente neste país, e a manutenção das existentes é péssima;; é verdade que o senhor poderá usar uma estrada pedagiada, mas, desde já quero alertar que o pedágio não é barato. Os rios que rasgam o país ainda têm muitos peixes, mas embora largos e profundos não são utilizados  como meio de transporte, e a energia que são capazes de produzir está sendo desperdiçada porque as pessoas que dizem cuidar do ambiente não se entendem com aquelas que dizem entender de tecnologia. Cuidado ao se aproximar das cidades, pelo rio ou por terra, pois o lixo e a poluição poderão afetar a sua saúde.

Confesso que convivemos aqui com muitos contrastes. O senhor será obrigado a compartilhar o espaço com poucos que têm muito e muitos que têm pouco, com o brilho das cidades e o risco de assalto nas esquinas, com pessoas educadas e sem a educação adequada, com saudáveis e enfermos.

Certamente em cada cidade o senhor encontrará pessoas pronunciando belos discursos e outros não tanto, verdadeiros mercadores de ilusões e soluções mágicas para os problemas de todo o dia.

Também é verdade que nem tudo aqui está comprometido, apesar da confusão que alguns têm feito, misturando o dinheiro público com interesses particulares. Continuamos produzindo muito nos campos, e nossas indústrias são criativas, apesar da instabilidade e da insegurança para investir.

Enfim, Papai Noel, somos um país que vale a pena. E como cidadãos temos alguns pedidos para fazer, pois embora tenhamos consciência de que a construção de uma nação se faz com advogados, sociólogos, médicos, operários, enfim, trabalhadores das mais diversas formações; a nós engenheiros e arquitetos, está reservada a missão de multiplicar os empregos que o país tanto necessita.

Pedimos impostos mais justos, legislação trabalhista que estimule quem gera emprego, leis claras e duradouras e dirigentes preparados que tomem as decisões pelas quais são responsáveis.

Nós com certeza saberemos elaborar projetos completos otimizando o traço e o custo; o ensino será adequado e de qualidade; as habitações serão dignas e as cidades mais justas; a riqueza será mais bem distribuída porque as estradas e as ferrovias serão de melhor qualidade e as distâncias serão encurtadas; a água e o lixo serão tratados; as pesquisas serão ampliadas possibilitando a utilização das mais diversas fontes de energia, e é possível que até a política passe a ser uma atividade mais respeitada.

Ao país, engenheiros e arquitetos de presente. Eles saberão dar a resposta.

Cordialmente,

Luiz Cláudio Mehl

Engenheiro civil

Dez/2.009

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